Segurança em condomínio: por que você deve se preocupar?

Nos primeiros meses de 2018, os roubos a condomínios em São Paulo cresceram 56%. Entre janeiro e abril, o número de ocorrências chegou a 1300; foram 832 casos registrados no mesmo período do ano passado. Uma das modalidades que vem crescendo é a de pessoas que se aproveitam da fragilidade da segurança em condomínio e se disfarçam de moradores para invadir apartamentos.

Esses números podem ser menores se moradores, funcionários e síndicos se juntarem para desenvolver práticas de proteção conjunta. Muitas vezes elas não têm um custo elevado e trazem resultados surpreendentes.

No post de hoje vamos apresentar os pontos que afetam a segurança e como todos os envolvidos podem contribuir para reverter essa situação.

Quais os principais erros que afetam a segurança em condomínio?

O descuido de uma só pessoa pode colocar todos em risco. Por isso é importante conhecer os pontos vulneráveis do local. Alguns erros são muito comuns. Vamos aos principais.

Não definir regras para o funcionamento da portaria

A ausência de regras gera erros por parte do porteiro, que não terá nada que o direcione em sua rotina de trabalho, e também dos moradores, que podem acabar interferindo no andamento dessa importante área do prédio.

Nesse sentido, criar regras para a portaria é de extrema importância. O ideal é definir as regras de entrada e permanência no regimento interno do condomínio. O permitido o proibido devem estar claros. Assim, quando um morador ou um funcionário desobedecer as regras, o síndico terá o regimento como base para tomar as atitudes cabíveis.

Entre os pontos a serem avaliados estão:

  • definição das atribuições do porteiro;

  • controle de entrada e saída de visitantes;

  • definição de regras para recebimento de mercadorias;

  • definição de regras para entrada e saída de prestadores de serviços para moradores e condomínio.

É interessante avaliar as características do condomínio a fim de estabelecer regras adequadas para ele. Isso evita o estabelecimento de padrões que não atendam às suas demandas.

Não orientar moradores e funcionários

Porteiros e funcionários sem treinamento podem causar constrangimentos, brigas entre moradores e funcionários e desentendimentos das mais variadas ordens. Funcionários precisam estar aptos para o trabalho. Por isso precisam ser orientados em relação às suas tarefas e às suas responsabilidades para a preservação da segurança.

Como todos devem estar cientes das regras de segurança estabelecidas, os moradores também precisam ser orientados. Além das assembleias coletivas, é importante contar com mecanismos para a divulgação de regras e alertas e de reuniões periódicas. É fundamental que eles entendam que o cumprimento dos regulamentos do condomínio torna o ambiente mais seguro para todos.

Falta de investimento em estrutura de segurança

A falta de investimento em segurança muitas vezes começa pela falta de planejamento. Os condomínios mais antigos podem ter falhas graves: falta de guarita, cercas e muros. Os mais novos, por outro lado, podem ter projetos mal conduzidos, contando com guaritas que impedem que o porteiro tenha uma visão ampla da rua, por exemplo.

Os itens mínimos  da estrutura física de segurança são:

  • guarita blindada com boa visão da rua, portaria e portões de garagem;

  • cercas e muros com altura mínima de 3 metros, podendo variar conforme a região e pontos que facilitem a escalada;

  • portões duplos, inter-travados;

  • sistema de passa-volume para impedir o acesso de entregadores;

  • ausência de investimentos em segurança eletrônica.

Muitas vezes o fator humano falha, exigindo recursos tecnológicos para dar suporte às práticas de segurança. Os investimentos, nesse campo, requerem planejamento para avaliar prioridades, possibilidades de treinamento, manutenções periódicas e avaliações (internas e externas) para garantir o bom funcionamento de todo o aparato.

Veja os principais investimentos necessários.

Sistema de CFTV  

É o sistema de câmeras para o acompanhamento, em tempo real e remoto, dos acessos e movimentações em elevadores, garagens e pontos de circulação no interior do condomínio.

Sistema de controle de acesso

Serve para a identificação de moradores, visitantes e prestadores de serviço. O sistema permite o cadastramento de foto, documento e digital.

Sistema de alarme

Utiliza sensores em pontos críticos e botão de alarme para acionamento da central de monitoramento (geralmente terceirizada).

Sistema de segurança perimetral

Inclui cercas elétricas, câmeras externas e sensores infravermelhos para monitorar a região vizinha ao condomínio.

Negligenciar as áreas circunvizinhas de risco

Segurança é mais do que ter um condomínio cheio de aparatos tecnológicos. Um ambiente seguro leva em consideração toda a região em que ele está envolvido. Em linhas gerais, é necessário adotar práticas como o mapeamento de áreas de risco identificando vias com iluminação deficiente, praças com grande presença de usuários e traficantes, pontos com índices elevados de criminalidade, dentre outros agravantes.

A ideia aqui é desenvolver mecanismos e ações preventivas para que a região se torne mais segura para os moradores.

Quais práticas simples é possível adotar?

Além das normas do regimento interno, é fundamental desenvolver práticas que envolvam moradores e funcionários como forma de se realizar ações preventivas ou corretivas que melhorem a segurança em condomínio. Vamos a elas:

  • desenvolver e incentivar reuniões que abordem o assunto segurança, a fim de identificar quais os pontos críticos nesse quesito;

  • apresentar os cuidados ao abrir a porta, sempre confirmando quem está do lado de fora antes (ideal o uso do olho mágico), e a instalação de travas de segurança;

  • evitar acionar o portão automático de uma distância longa, principalmente se não for possível a identificação do que está acontecendo ao redor;

  • trancar a porta de apartamentos, mesmo em saídas rápidas. Evitar também deixar a porta aberta mesmo com pessoas estando em casa;

  • desenvolver formas de comunicação entre vizinhos para que estes identifiquem se algo não está bem (sinais luminosos, telefonemas e códigos diversos);

  • utilizar redes sociais para criar grupos de vigilância com os moradores, síndico e funcionários;

  • receber entregadores na guarita em vez de recebê-los em casa quando for possível;

  • evitar deixar chaves com funcionários ou escondida em locais estratégicos como embaixo do tapete ou vasos de plantas.

Essas são ações simples baseadas principalmente na relação harmoniosa entre os envolvidos. Por mais que os equipamentos de segurança sejam modernos, eles só se mostram eficazes quando moradores seguem passos básicos de segurança em condomínio. Lembre-se que são momentos de desatenção que favorecem a ação de bandidos.

A discussão sobre segurança em condomínio interessa a você? Deixe um comentário no post, para conhecermos melhor suas preocupações e ideias sobre o assunto.

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